Amigos, o que é essa rotina nossa de cada dia? Todo dia uma batalha, uma corrida de São Silvestre, um decathlon, uma loucura! A minha, pelo menos, é digna de estudo científico. É tanta coisa ao mesmo tempo, que, ás vezes, fico tonta, com vontade de gritar e me mandar para terras longínquas, tipo Nepal, onde ninguém me conheça.
A sociedade impõe que sejamos quase super heróis. Peguemos como exemplo, o super herói da moda, o Homem de Ferro. Pausa: Sim, eu adorei o "Os Vingadores", filme muito divertido, quem não assistiu, assista. Recomendo. Mas voltando. Ele é um super herói moderno, dono de um humor ácido, personalidade arrogante e de valores um tanto questionáveis, a cara da nossa sociedade. Em uma cena do filme, ele se auto-intitula como gênio, bilionário, playboy e filantropo. Tudo que a sociedade quer que sejamos. Duvida? Analisemos essas características juntos.
Sobre o gênio. Pra ser algo na vida, temos que estudar, isso é de ciência de todos. Mas não adianta estudar pra cumprir protocolo, tem que estudar pra ser gênio. Pra mostrar que é gênio. Tem que dominar mais de 4 idiomas, ganhar olimpíadas, passar em vestibulares concorridos, estudar no exterior, fazer graduação, pós-graduação, mestrado, doutorado, pós-doutorado e ser livre docente , tudo antes dos 40. Aí sim você é considerado e aclamado gênio. Caso contrário, você é, no máximo, um cara esforçado. O mercado exige muito dos profissionais hoje. Está tudo muito competitivo, todo dia mata-se um leão, um lobo e um elefante. É a geração Y está com tudo. Tem que correr atrás do tempo perdido. Rápido.
Sobre o bilionário: Segundo o manual da sociedade atual, não adianta ser gênio e não ganhar dinheiro com isso. Não estou falando de levar uma vida digna e simples, estou falando em ser bilionário popstar. Vejam o nosso querido Mark Zuckerberg do Facebook, o rapaz gênio e esquisito de Harvard. Ontem, o Facebook estreou na Nasdaq, elevando seu valor de mercado para mais de US$ 100bi. Sim, o site que ele inventou numa crise de dor de cotovelo, meio bêbado, enfurnado em seu dormitório hoje vale mais que muita empresa robusta e velha de casa. O rapaz está entre os 10 homens mais poderosos do mundo, com uma fortuna de US$ 17bi.
Sobre o playboy: A mídia não quer gênios bilionários e tímidos como Bill Gates, afinal, isso não vende revista. Ela quer ação! Confusão! Baixaria! O bilionário crucificado da vez é o co-fundador do Facebook, o brasileiro Eduardo Saverin, que depois de renunciar sua cidadania americana, está sendo taxado de playboy ingrato pelo governo americano. Agora, o rapaz mora em Singapura, de onde toca sua vida como investidor-anjo, financiando start-ups (empresas que estão começando) do ramo da tecnologia. Engraçado, até a renúncia da cidadania americana, ele era um rapaz pacato, gênio dos cálculos - foi ele quem criou o algoritmo utilizado por Zuckerberg para criar a primeira versão do Facebook - e bem sucedido. Agora o governo americano está falando que ele é um grande de um playboy, que gasta fortunas com champanhe, modelos e baladas, e que não é mais bem-vindo ao país. Isso tudo só porque o rapaz não vai mais ser obrigado a pagar impostos para o governo americano. A mídia está adorando. Cada passo do neoplayboy está sendo vigiado. Dá mais audiência, sabe.
Agora o último, e não menos importante, o filantropo. Claro! Além ser tudo isso que já comentamos, você tem que ajudar o próximo. Mas, assim, não é pra ajudar a dar comida pra quem tem fome, por exemplo. Tem que ser grande! Tem que ser embaixador de alguma coisa na ONU, tem que financiar alguma grande fundação, e claro, colocar seu nome nela. Senão, como vai provar pra mídia que você ajuda os outros? Conhecem a Jessica Alba, a atriz de Hollywood? Pois é, eu gosto dela. Sigo o profile dela em diversas redes sociais. Ela é fundadora de uma ONG chamada The Honest Company. Essa ONG ajuda famílias de baixa renda a conseguir produtos para seus filhos pequenos, como fraldas, produtos de higiene e comida. Muito bonitinho o trabalho dela. Gosto dela mais ainda depois de conhecer a The Honest. Mas você conhecia essa ONG? Pois é. Ela não tem todas as características citadas no post de hoje, então a mídia não fala muito dela.
É, meus caros, os super heróis das antigas, tipo o Super Homem e a Mulher Maravilha já estão antiquados. O negócio agora é ser politicamente incorreto, sarcástico e pastelão. Está na moda e dá dinheiro.
Ainda bem que meu negócio é escrever. Posso continuar pobre e anônima, mas quem disse que eu preciso de dinheiro e fama pra ser feliz?
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